segunda-feira, 16 de maio de 2011

Nara Quadros Halfen, 44 anos, avó e mãe de Lalá (in memoriam)

“Ela foi a maior e a melhor escola de vida para mim”


O amor das mães por seus filhos, em geral, é tão grande que quando nascem os netos elas dão a eles um amor dez, cem, mil vezes maior. Talvez isso explique pelo menos parte da grande história vivida pela gravataiense Nara Quadros Halfen, 44 anos. Por quase sete anos ela se dedicou tanto à neta Laís Saraiva da Silva, que praticamente esqueceu de si mesma.
Lalá, como ela carinhosamente a chama até hoje, nasceu em 4 de outubro de 2003, depois de uma gestação normal de sua filha Fernanda Halfen Saraiva. O bebê passou da hora de nascer e ficaram 25 minutos sem oxigênio, mas ainda assim sobreviveu.

A sequela imediata foi paralisia cerebral e uma série de outras, entre as quais uma escoliose grave, que acabou comprometendo os poucos órgãos que ainda funcionavam. Segundo Nara, o atraso no nascimento foi um erro médico, que ela já conseguiu comprovar junto ao Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) e espera comprovar na Justiça. Na ocasião, os médicos deram apenas 24 horas de vida para Lalá, mas contrariando todas as expectativas, ela conseguiu superar este obstáculo. A mãe biológica do bebê era menor na época e como não conseguiu suportar a pressão de ter que cuidar de uma criança com tantos problemas, saiu de casa e foi morar em Canoas.
Daí em diante, com a guarda da neta, Nara virou mãe mais uma vez. Com Lalá nos braços, fez rifas e peregrinou pela cidade inteira em busca de ajuda para tratar seus problemas de saúde. Saiu até do emprego para cuidar só da neta.

“Ela tinha muita vontade de viver. Eu sabia que o potencial dela para isso era pequeno, mas resolvi fazer o máximo possível”, resume ela sobre a sua luta pela vida de Lalá. Em 2007, em busca do tratamento para resolver o problema de coluna da menina, esteve por dois meses em Brasília, no Hospital Sara Kubischeck, especializado em casos semelhantes. Só que depois de uma avaliação e exames, a cirurgia foi descartada porque Lalá tinha pouca idade para a intervenção.
Apesar de tudo, cheia de amor pela neta, continuou a cuidar dela. Talvez por essa dedicação toda, Lalá sobreviveu até os seis anos. Ela resistiu bravamente até 19 de agosto de 2010, quando deixou este mundo de dores. Em 4 de outubro, completaria sete anos. Deixou o coração de Nara cheio das boas lembranças que as duas travaram juntas e um vazio enorme, ao mesmo tempo, porque não teve como ficar. Nara fez o máximo que pode, e por isso, apesar da saudade se consola.

“A Lalá foi a maior e a melhor escola de vida para mim”, afirma Nara, que além dela tem os filhos Fernanda, 25 anos – hoje mãe de um filho e grávida de outro – Bruna, 20, e Rafael, 13. Para a mamãe Nara, Lalá foi a oportunidade de elevar a maternidade a mais sublime das expressões. Mais que isso, foi um curso intensivo, que transformou uma simples mãe em uma heroína. Humilde como toda mãe, ela acredita que apenas fez sua parte.  

Um comentário:

  1. Nara,que Deus continue te fortalecendo nesta ardua etapa da tua vida,e quando pensares que ñ tem mais força saiba que és exemplo de amor e superação para muitos,Amamos vç.

    ResponderExcluir