Mari Silva, 34 anos, mãe de nove filhos
O sonho da maternidade, que acompanha a maioria das mulheres, está sujeito a fatores físicos, emocionais e até culturais para se tornar realidade. Quando vem acompanhado de muito amor, pode superar todas as barreiras. A gravataiense Mari Silva mal tinha 18 quando começou a dosar esses ingredientes, encontrou a fórmula certa e hoje é uma empresária e mãe bem sucedida de nove filhos. Apenas três saíram de seu útero, mas nem ela nem os demais enxergam essa diferença, porque junto com o marido, conseguiu criar os laços afetivos que faltavam e formar uma família feliz.
Nessa grande família, o amor vem superando ao longo dos anos as dificuldades para cuidar de tantas crianças. Com Roberto, Mari teve os filhos Graziely, hoje com 5 anos, Brenda, 9, e Michelle,15. Os outros vieram de quatro casamentos diferentes do marido. Ela foi acolhendo todos eles – Roberto Junior, Guilherme, Ketherline, Roberta, Nathan e Alisson – e dedicando a cada um o carinho necessário para que fosse se desenvolvendo, como uma planta no jardim bem cuidado.
Mari atribui o alicerce sólido que a família desfruta hoje à fé.
“Eu e o Roberto fomos para a Igreja e começamos a participar dos encontros de fé, que nos ajudaram a começar uma vida nova. O alicerce da nossa família é o temor de Deus”, conta ela sobre o reforço que a religião traz para o relacionamento do casal. Ambos participam de um grupo de crescimento a cada 15 dias e pelo menos uma vez por mês reúnem a família para conversar e organizar e a vida de todos.
Ela e Roberto também construíram o espaço físico para dar suporte ao seu sonho coletivo: a casa deles tem seis quartos e quatro banheiros. Os filhos ajudam a cuidar uns dos outros e também das contas de água e luz. Na cozinha, duas mesas, uma com dez lugares e outra com seis acomodam a família na hora das refeições.
Lavar roupas é uma tarefa para duas máquinas, de cinco a seis vezes por dia. Com tantos filhos, Mari ainda encontra tempo para cuidar de uma das empresas da família. Para dar conta do recado, conta com a ajuda indispensável da Stela, que considera uma segunda mãe de suas crianças. As tarefas da casa, também divididas entre todos, ajudam a colocar ordem onde poderia haver um verdadeiro caos doméstico.
À noite, quando a família volta a se reunir, Mari não cozinha. Um lanche reforçado e regado a muita conversa deixa mais tempo para ficar junto com os filhos. Assim, sob a batuta de uma mãe amorosa – mesmo quando precisa gritar – se criou um ambiente onde sobram abraços, palavras de carinho, sorrisos, brincadeiras, respeito, obediência, solidariedade. Não é uma situação perfeita, segundo Mari, mas ela ama seus filhos e seu marido e sua receita de felicidade faz com que os nove tenham uma mãe no mais amplo sentido da palavra. Algo para comemorar por muitos e muitos Dias das Mães.
Quando fez suas escolhas ao longo da vida, depois de quatro casamentos que não deram certo, Roberto Menezes, 46 anos, nunca esperou que todos os seus filhos viessem morar com ele.
“Sou o pai mais feliz do mundo”, festeja ele, rodeado pelos filhos.
Movido por esse sentimento, Roberto vem encarando com bom humor e satisfação os desafios para manter uma família tão grande. Ele não economiza elogios para a esposa.
“A Mari é uma pessoa maravilhosa. É a mulher que todo homem gostaria de ter. Eu amo demais e agradeço a Deus por tê-la colocado no meu caminho”, derrete-se. O amor tem sido o combustível da vida do casal.
Roberto ri ao contar que para manter a família unida e proporcionar atividades de lazer, na hora de escolher o carro, comprou uma van de 17 lugares. É nela que todos saem juntos para passear. As despesas são grandes, mas os filhos dão uma ajuda controlando gastos com energia e água. Poucas coisas não são unanimidade neste mundo fantástico nutrido por Mari e Roberto.
“Toda a família é colorada, menos o Guilherme, que é gremista. Fazer o que? Nem tudo pode ser perfeito”, brinca ele.
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“Viver em uma família tão grande assim até que é fácil. Só precisa aprender a dividir”. Roberto, 18 anos.
“Difícil é ter privacidade. Sempre que eu sento ao lado da mãe ou do pai, vem todo mundo...”. Michele, 15 anos.












