segunda-feira, 16 de maio de 2011

Áurea Schmitt, 59 anos, mãe da Vitória, 3

“Gostaria de ter tido a Vitória aos 20 anos...”


A advogada e professora Áurea Schmitt é conhecida na cidade pelo trabalho social que sempre fez parte de sua vida. Foi fazendo isso que ela acabou realizando um sonho acalentado e amadurecido ao longo dos anos. Hoje, aos 59 anos, ela é mãe de Vitória, 3.
“Eu sempre gostei muito de criança. Fui professora e pensava em adotar, mas acabei não fazendo, por motivos profissionais e até porque queria um marido para que a criança tivesse um pai”, conta Áurea. A maternidade era algo tão importante para ela, que deixou um noivo porque ele não queria filhos.

Em 1997, com 44 anos, casou-se com o advogado Luís Carlos Cavalieri, que sempre a apoiou no sonho de ter filhos, tanto através de fertilização artificial – em três tentativas que falharam – quanto na adoção.
“Mesmo que a fertilização desse certo eu teria adotado, porque considero isso um privilégio”, destaca.

Com esse sentimento no coração tudo se encaminhou quase ao natural. O pai dela, Alberto, também costumava fazer trabalho social, ajudar pessoas. Aos 87 anos, ele pediu a ela que ajudasse uma família da qual ele vinha cuidando há algum tempo. Era um casal de idosos que cuidava da neta, recém-nascida. A mãe da criança era usuária de drogas e havia sumido, deixando-a com eles. Áurea aceitou a tarefa e passou a visitar a família.
“Eu ia lá todos os dias dar um colinho para o bebê. Parecia que eu sabia que ia ser minha”, conta ela com Vitória ao colo. Em 2008, o casal disse que estava enfrentando problemas de saúde e pediu que Áurea cuidasse do bebê, que estava com um mês e 12 dias. Ela aceitou, pediu a guarda e o levou para casa. Em setembro do mesmo ano, a Justiça homologou a adoção. Os colegas advogados dela acharam uma coragem e loucura na época. A resposta veio branda: nas festas de aniversário da filha, procurou por outros adotados e os convidou, como forma de divulgar a adoção. Hoje muitos dos colegas estão procurando crianças para adotar.

Além de Vitória, no mesmo ano Áurea ficou com a guarda de outra menina, Letícia, de 15 anos. Foi a maneira de zelar por ela, que vivia uma situação de risco. Mora com ela até hoje, assim como Nara, namorada de um sorinho seu. Ela também acolheu Fábio, atualmente com 33 anos, casado e residente no Litoral. Indagada se faria algo diferente ela responde:
“Gostaria de ter tido a Vitória aos 20 anos. Ela é muito companheira. Acho que íamos curtir muita coisa juntas”.

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